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1 Os elementos tratados por irradiação se tornam radioativos?
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1 Não. A irradiação em condições controladas não faz com que os alimentos se tornem radioativos. Tudo em nosso meio ambiente, incluindo os alimentos, contém quantidades típicas de radioatividade, o que significa que esta quantidade típica (cerca de 150 a 200 Bq) de radioatividade natural (procedente de elementos tais como o potássio) é inevitável em nossa dieta diária.Nos países em que é permitida a irradiação de alimentos, tanto as fontes de radiação como os níveis de energia estão regulamentados e controlados. O processo de irradiação supõe a passagem do alimento, a uma determinada velocidade que controla a quantidade de energia ou a dose absorvida, por um campo de radiação. O alimento em si nunca entra em contato direto com a fonte de radiação. As energias máximas admitidas para os elétrons e raios X, de fontes instrumentais de radiação que podem ser utilizadas, são 10MeV e 5MeV, respectivamente. Mesmo se os alimentos fossem expostos a doses muito elevadas, procedentes destas fontes, o nível máximo de radioatividade induzida seria tão somente um milésimo de Bequerel por quilograma de alimento. Esta cifra é 200.000 vezes menor que o nível de radioatividade natural existente nos alimentos. |
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2 Qual é a diferença entre os termos "alimentos irradiados" e "alimentos radioativos"?
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2 Os alimentos irradiados são aqueles que foram deliberadamente tratados com determinados tipos de energia radioativa, para se obterem algumas propriedades convenientes ( por exemplo, para inibir a germinação ou para destruir as bactérias que contaminam os alimentos). Além dos produtos alimentícios, muitos outros materiais são irradiados em escala comercial durante seu processo de produção, entre eles cosméticos, artigos para hospitais, produtos médicos e rolhas para garrafas de vinho.Os alimentos radioativos, por outro lado, são aqueles que foram acidentalmente contaminados por substâncias radioativas, procedentes de testes com armas atômicas ou acidentes com reatores nucleares. Este tipo de contaminação não tem nada a ver com alimentos irradiados, que foram tratados para conservação ou para outros fins. |
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1 São nocivas à saúde as alterações químicas que são produzidas nos alimentos irradiados, tais como a formação de produtos radiolíticos?
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1 Não. Em geral, o processo de irradiação acarreta poucas alterações químicas nos alimentos. Nenhuma das alterações conhecidas são nocivas ou perigosas.Algumas delas formam produtos radiolíticos, como: glicose, ácido fórmico, aldeído acético e dióxido de carbono. Esses são encontrados normalmente nos alimentos, e se formam como resultado do tratamento térmico. A inocuidade destes produtos radiolíticos tem sido investigada exaustivamente, e não se tem encontrado nenhuma prova da sua nocividade. Nos últimos 30 anos foram realizadas inúmeras pesquisas científicas utilizando técnicas analíticas, altamente precisas, com o objetivo de se isolar e detectar os produtos radiolíticos formados pela irradiação. Não foi detectada nenhuma substância que seja produzida exclusivamente nos alimentos irradiados. Os mesmos produtos são sempre encontrados, alguns em quantidades diferentes, por exemplo, nas frutas, nos legumes, nas carnes, no pescado e em muitos outros alimentos tratados, ou não. O USFDA estimou que a quantidade total de produtos radiolíticos não detectados, que poderia ser formada quando se irradiam alimentos com doses de 1kGy, seria inferior a 3mg por quilograma de alimentos, ou seja, inferior a 3 partes por milhão. |
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2 Os radicais livres formadas durante a irradiação afetam a inocuidade dos alimentos?
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2 Não há nada que indique que eles, em si, afetam a inocuidade dos alimentos.Os radicais livres, que em termos científicos, são átomos ou moléculas com um elétron livre podem se formar durante o processo de irradiação , assim como mediante vários outros tratamentos convencionais de alimentos (tais como a torrefação do pão, a fervura e a liofilização) e durante processos normais de oxidação dos mesmos. Geralmente, são estruturas instáveis muito reativas que reagem constantemente com substâncias para formar produtos estáveis. Os radicais livres desaparecem ao reagir entre si em presença de líquidos , tais como a saliva na boca. Portanto, sua ingestão não produz efeitos tóxicos nem outros efeitos nocivos. Este fato foi confirmado por um estudo de longo prazo, em laboratório , no qual alimentaram-se animais com leite em pó muito seco, irradiado com 45 kGy, uma dose quatro vezes maior que a aprovada para irradiação de alimentos. Não foram observados efeitos mutagênicos e nem se formaram tumores. Não se observou nenhum efeito tóxico nos animais ao longo de nove gerações sucessivas. Do mesmo modo, pode-se esperar que uma torrada de pão (não irradiada), que contém mais radicais livres que os alimentos muitos secos que foram irradiados, não seja nociva. |
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1 A irradiação afeta negativamente dos qualidade nutritiva dos alimentos?
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1 A sua influência não é maior do que a de outros métodos convencionais, utilizados para o tratamento e conservação de alimentos. Amplas pesquisas demonstram que os macro-nutrientes, tais como as proteínas, os carboidratos e gorduras são relativamente estáveis, quando os alimentos são expostos à dose máxima de radiação de 10 kGy.Os micronutrientes, especialmente as vitaminas, podem ser sensíveis a qualquer método de tratamento de alimentos, incluída a irradiação. A sensibilidade de diferentes tipos de vitaminas ao método da irradiação e a outros métodos de tratamento de alimentos, é variada. Por exemplo, as vitaminas C e B1 (tiamina) são sensíveis à irradiação assim como ao tratamento térmico. O Comitê Misto de Especialistas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), a organização Mundial de Saúde (OMS) e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que examinaram estas e outras questões concluíram em 1980, que a irradiação não acarreta nenhum tipo de problema, com referência ao valor nutritivo dos alimentos. A variação do valor nutritivo causada pela irradiação depende de vários fatores, entre eles a dose à qual o alimento é exposto, o tipo de alimento, a sua embalagem e as condições de tratamento, tais como a temperatura durante a irradiação e o tempo de armazenamento. |
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A maioria destes fatores também se aplicam a outras tecnologias de conservação de alimentos. Por exemplo, ao medir-se o teor de vitamina C em três qualidades diferentes de maçãs, armazenadas em geladeira por um período de até um ano, observaram-se reduções de 40 a 70%, dependendo do tipo da maçã. Mesmo assim, não se tem notícia de nenhum informe sugerindo ser inadequado o armazenamento a frio de maçãs. As notícias sobre perdas elevadas de vitaminas ocasionadas pela irradiação de soluções de vitamina pura, ou a utilização de doses mais altas que as aplicadas nas instalações comerciais de irradiação, não servem com base para a previsão da sensibilidade à radiação de uma determinada vitamina nos alimentos. A complexidade da composição dos alimentos, freqüentemente, impede a decomposição de suas várias vitaminas por irradiação. Os resultados aparentemente contraditórios entre as pesquisas, nas quais ocorreram pequenas perdas de vitamina C em alguns alimentos, e aquelas em que as perdas foram elevadas, podem ser atribuídos aos diferentes enfoques analíticos utilizados pelos pesquisadores. Assim como a sensibilidade das vitaminas ao calor é variada, também o é sua sensibilidade à radiação. Esta sensibilidade depende das condições nas quais se irradiam os alimentos.
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As vitaminas A, E, C, K e B1 (tiamina) nos alimentos são relativamente sensíveis à radiação, enquanto que outras vitaminas do complexo B, ais como a vitamina D, são muito mais estáveis. As perdas são geralmente menores se se exclui o oxigênio e se a temperatura, durante a irradiação, for baixa. Em condições ideais, as perdas de vitaminas nos alimentos irradiados com dose máxima de 1 kGy são consideradas insignificantes. Com doses mais elevadas o efeito da irradiação dependerá do tipo de vitamina, da temperatura, da dose, do alimento e da sua embalagem. Dependendo do alimento, as concentrações de tiamina podem ser reduzidas mais ainda pelo armazenamento e cocção, se ele estiver exposto ao ar durante o armazenamento, mas não necessariamente se for embalado sem oxigênio. |
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1 Segundo alguns jornais, estudos realizados na Índia demonstraram que a ingestão de alimentos irradiados conduz ao desenvolvimento de cromossomas anormais. O que há de verdade nisso?
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1 Nada. A notícia dos cromossomas anormais, como resultado da ingestão de alimentos irradiados, foi sensacionalista.Tais afirmações se basearam na ocorrência de "poliploidia" que, segundo se pretendia, resultava do consumo de produtos recém irradiados. A poliploidia significa um conjunto múltiplo de cromossomas. As células humanas têm , normalmente, 46 cromossomas. No caso da poliploidia, este número aumenta para 92 ou 138 cromossomas. A incidência de células poliplóides ocorre naturalmente e varia segundo as pessoas. A importância da poliploidia é ainda desconhecida. As notícias publicadas citam, freqüentemente, resultados obtidos em meados da década de 1970 por um grupo de cientistas do Instituto Nacional de Nutrição da Índia (NIN). Os cientistas notificaram aumentos na freqüência de células poliplóides em cobaias, ratos, macacos, e crianças mal nutridas. Estas anormalidades foram atribuídas ao consumo de produtos de trigo, imediatamente depois de sua irradiação com uma dose de 0,75 kGy. Não se observou nenhuma poliploidia quando o trigo foi irradiado e armazenado 12 semanas antes de seu consumo. Várias instituições indianas e de outros países tentaram reproduzir os estudos realizados no NIN, com base em informações fornecidas por aquele instituto. Nenhuma das instituições pôde alcançar resultados similares aos obtidos no NIN. |
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Entre os estudos realizados figura um desenvolvido por um comitê nomeado pelo governo da Índia. Em 1976, este comitê concluiu que os dados disponíveis não permitiram demonstrar nenhum potencial mutagênico de trigo irradiado. Vários comitês nacionais e pesquisadores independentes da Áustria, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França e Reino Unido também avaliaram a suposta incidência da poliploidia. Todos concluíram que as informações fornecidas pelo NIN não provam uma maior incidência de poliploidia. Em 1988, D. McPhee e W. Hall, assessores de um comitê parlamentar australiano encarregado de realizar um trabalho sobre a utilização da radiação ionizante examinaram os resultados do NIN. Concluíram que o fato de outros pesquisadores não terem podido chegar aos mesmos resultados do NIN coloca sob suspeita a fidelidade das conclusões daquele instituto, de que a poliploidia é uma medida deficiente do dano genético e que existem grandes sofismas biológicos na cadeia de incidências que, supostamente, vinculam o consumo de alimentos irradiados com a produção de eventos genéticos. |
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2 Além da pesquisas de alimentação com animais, foi realizado algum estudo de alimentação de seres humanos com alimento irradiado?
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2 Sim. No começo da década de 1980 foram realizados na China oito estudos de alimentação com voluntários, nos quais foram utilizados vários produtos alimentícios irradiados, incluindo trigo. Mais de 400 pessoas consumiram alimentos irradiados em condições controladas, durante 7 a 15 semanas.Um dos centros de atenção das pesquisas foi a possibilidade de mudanças cromossômicas. Em sete dos oito experimentos realizaram-se pesquisas sobre as aberrações cromossômicas em 382 pessoas. Em nenhuma das experiências forma descobertas diferenças significativas entre o número de aberrações cromossômicas no grupo de controle e no grupo de prova. A incidência de poliploidia naqueles que consumiram alimentos não irradiados e naqueles que consumiram amostras irradiadas se encontrava dentro da escala normal do valor global de células poliplóides dos participantes. |
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3 Que outros estudos foram realizados nesta área?
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3 Outros estudos que corroboram os do NIN são ocasionalmente citados. Entre eles figura um realizado por D. T. Anderson e colaboradores, publicados em 1981. Este estudo, que examinou as mutações mortais dominantes em ratos alimentados com dietas irradiadas, figurava entre os estudos citados por McPhee e Hall, assessores de um comitê parlamentar australiano, que não puderam chegar aos mesmos resultados do NIN. Em outro estudo, citado algumas vezes para corroborar as pesquisas do NIN, examinou-se o nível de poliploidia nas células e na medula óssea de Hamsters alimentados com dietas de cobaias, recém- irradiadas . Estas dietas foram irradiadas com uma dose de 100 kGy, ou seja, uma dose pelo menos 125 vezes mais alta que as doses utilizadas pelo NIN, e 10 vezes acima do limite internacionalmente recomendado para a irradiação de alimentos. Freqüentemente, não são citadas as conclusões do próprio autor sobre a importância do seu estudo: "Não existe nenhuma prova da produção de efeitos mutagênicos como resultado do uso de uma dieta irradiada.".Esta conclusão foi validade por amplas provas de alimentação. Nos últimos 20 anos foram produzidos e criados milhões de ratos, camundongos e outros animais de laboratório, exclusivamente com uma dieta irradiada. A dieta tratada com doses de 25 a 50 kGy, foi ministrada a animais de laboratório, em numerosas instituições dedicadas às pesquisas de alimentos, medicamentos e produtos farmacêuticos da Alemanha, Áustria, Canadá, Austrália, Estados Unidos, França, Japão, Suíça e Reino Unido. Não se observou nenhum defeito genético transmissível, teratogênico nem oncogênico, que pudesse ser atribuído ao consumo de dietas irradiadas. |
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1 A irradiação de alimentos pode aumentar os ricos do botulismo?
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1 A irradiação com doses de até 10 kGy, que é a dose internacionalmente recomendada, não aumenta os riscos do botulismo mais que os métodos tradicionais de tratamento, tais como pasteurização. Os alimentos tratados com estes métodos devem ser manipulados, embalados e armazenados em conformidade com as boas práticas de fabricação ("Good Manufacturing Practices – GMP"), para impedir o desenvolvimento e a produção de toxinas de "Clostridium Botulinum".Uma alternativa seria irradiar com doses altas (30 a 60 kGy) para destruir qualquer organismo de Clostridium Botulinum que se encontre nos alimentos. Alguns tipos de Clostridia causam mais preocupações que outros. O Clostridium Botulinum tipo E, por exemplo, se encontra em pequenas quantidades no pescado e nos mariscos capturados em algumas regiões. Este tipo pode desenvolver-se e produzir toxinas, inclusive em alimentos refrigerados a temperaturas tão baixas como a 4 ° C. Portanto, o pescado e os mariscos, incluindo todos os produtos tratados por qualquer dos métodos de subesterilização que usa a irradiação, devem ser mantidos a temperaturas abaixo de 3 ° C durante todo o processo de comercialização. A maioria dos outros tipos de Clostridium Botulinum não pode se desenvolver e produzir toxinas a temperaturas abaixo de 10 ° C. As GMP exigem que os alimentos crus, tais como o pescado e a carne sejam estocados a temperaturas específicas, mesmo tendo sido irradiados, para impedir o desenvolvimento Clostridium Botulinum. |
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2 A irradiação de alimentos pode aumentar os riscos microbiológicos?
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2 Não. A segurança microbiológica dos alimentos irradiados tem sido pesquisada por órgãos científicos internacionais. Uma das questões concretamente examinadas pelos cientistas é a redução dos microrganismos que causam a decomposição. Estes microrganismos indicam aos consumidores, através de mau cheiro e da descoloração, que os alimentos podem estar impróprios para o consumo, e que sua ingestão pode não ser inócua. Apesar da irradiação eliminar os microrganismos dos alimentos deteriorados, ela não pode eliminar os sinais externos de decomposição e, portanto, ela não pode ser utilizada para maquiar alimentos deteriorados. Além disso, segundo dados científicos, a irradiação adequada não pode aumentar a virulência dos microrganismos patogênicos nem sua capacidade de desenvolver nos alimentos irradiados.A pedido da FAO e OMS, a Junta do Comitê Internacional de Microbiologia e Higiene Alimentícia examinou, em 1982, a informação relativa à segurança microbiológica da irradiação de alimentos. A Junta concluiu que a tecnologia moderna de tratamento de alimentos era adequada para controlar os problemas potenciais criados pela eliminação dos microrganismos de decomposição, e que a irradiação de alimentos não aumenta os riscos microbiológicos para a saúde. |
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3 Os alimentos formados, nos quais se formaram toxinas microbianas ou vírus são adequados para a irradiação?
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3 Não. Só se devem irradiar alimentos cuja qualidade higiênica seja boa. Assim, a irradiação não difere do congelamento, da termopasteurização e de outros métodos de tratamento de alimentos. Se bem que estes processos possam destruir bactérias, eles não podem destruir totalmente as toxinas e os vírus formados previamente nos alimentos. É extremamente importante que os alimentos destinados ao tratamento, por qualquer método, sejam de boa qualidade, e que sejam preparados e manipulados em conformidade com as GMP estabelecidas pelas autoridades, nacionais ou internacionais. Em alguns casos, regulamentos rígidos proíbem a distribuição de certos alimentos. Numerosos países, por exemplo, proíbem a comercialização de ostras provenientes das zonas contaminadas com águas residuais sem tratamento, devido ao perigo do vírus da hepatite. Nenhum método de tratamento deve substituir as GMP na produção e manipulação de alimentos. |
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1 A irradiação pode ser utilizada para tornar comestíveis os alimentos decompostos ou para limpar alimentos "sujos"?
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1 Não. Nem a irradiação nem qualquer outro método de tratamento de alimentos pode inverter o processo de decomposição e fazer com que um alimento estragado se torne próprio para o consumo. Se em um alimento já existem sinais de decomposição, se tem sabor ruim ou mau cheiro antes de sua irradiação, ele não pode ser recuperado por nenhum tratamento, nem o da irradiação. A má aparência, sabor ou odor não desaparecerão. A irradiação não é magia.Não obstante, os tratamentos tais como a termopasteurização, a fumigação química e a irradiação são eficazes para destruir ou eliminar a contaminação microbiana dos alimentos. A termopasteurização e a fumigação são utilizadas, eficazmente, com este propósito há algumas décadas, para destruir os microrganismos patogênicos do leite e outros produtos líquidos; para destruir a microflora de decomposição e insetos das especiarias e alimentos desidratados. Estes tratamentos se aplicam intencionalmente por razões de saúde pública, para destruir organismos tais como a Salmonella e o Campilobacter, que estão relacionados com enfermidades transmitidas por alimentos. A irradiação é especialmente eficaz para a prevenção contra as enfermidades parasitárias transmitidas por alimentos sólidos, especialmente os de origem animal. Os métodos de tratamento de alimentos tais como o aquecimento, o congelamento, o tratamento químico e a irradiação não são destinados a substituir as boas práticas de higiene. Tanto no plano nacional como no internacional, as boas práticas de fabricação (GMP) regem a manipulação de determinados alimentos e produtos alimentícios. Estas práticas devem ser seguidas na preparação de alimentos, independentemente deles serem destinados a tratamento por irradiação ou qualquer outro método.
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1 Pode-se supor que existia algum risco para a saúde na irradiação de alimentos que contém resíduos de pesticidas ou aditivos?
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1 Não. Não existem dados científicos demonstrando que a irradiação de alimentos contendo resíduos de pesticidas e aditivos possa trazer riscos para a saúde.Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) tem examinado a irradiação de alimentos que contém resíduos de pesticidas. A FDA determinou concretamente a quantidade de produtos radiolíticos que poderiam se formar ao se irradiar alimentos com resíduos de pesticidas, aplicando uma dose de 1kGy. Esta dose se encontra na parte superior do intervalo que se prevê utilizar para as frutas, os legumes e os grãos, para fins de desinfestação. Calcula-se que o nível médio de resíduos de pesticidas nos alimentos é de aproximadamente uma parte por milhão. A formação total de todos os produtos radiolíticos do resíduo de pesticida seria de 0,000033 miligramas por quilograma de alimento, ou 1 grama em 3000 toneladas de alimento. O FDA considera que esta quantidade é mínima e conclui que a toxidade potencial de cada produto radiolítico, de um resíduo químico de pesticida nos alimentos irradiados, seria insignificante, e que os resíduos de pesticida não implicam riscos para a saúde.
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Foram realizados estudos sobre aditivos em alimentos irradiados com doses mais elevadas. A comissão do "CODEX ALIMENTARIUS" da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação e a Organização Mundial da Saúde definem um aditivo alimentar como uma substância que não é utilizada normalmente com ingrediente alimentar, mas que se acrescenta deliberadamente ao mesmo para obter um resultado tecnológico. Os corantes, os anti-oxidantes artificiais, os produtos de conservação, tais como o Sorbato Potássico e os polifosfatos são exemplos de aditivos alimentares, que representam 0,01 a 0,1% do peso total do alimento. Estes estudos indicam que, com uma dose de radiação de 10 kGy, que é a dose máxima permitida para a irradiação de alimentos, a formação de todos os produtos radiolíticos de aditivos alimentares oscila entre 3 e 30 partes por bilhão. Para uma pessoa com uma dieta total de 500 quilogramas de alimentos, estas cifras correspondem a uma ração individual anual insignificante de produtos radiolíticos (entre 0,1 e 1 miligrama) produzidos por um aditivo em um alimento tratado por irradiação. Portanto, considera-se realmente muito reduzida a probabilidade dos produtos radiolíticos, formados por aditivos alimentares, causarem danos. |
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1 Que riscos existem na irradiação de alimentos de que entram em contato com o plástico ou outros materiais usados em embalagens?
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1 Nenhum. Os resultados de amplas pesquisas demonstraram que quase todos os materiais usados na embalagem de alimentos que foram testados são adequados para a irradiação com doses máximas de 10 kGy, que é o limite internacionalmente aprovado para irradiação de alimentos. Foi aprovada a utilização de vários materiais de embalagem para os alimentos irradiados. A adequação de tais materiais para os alimentos destinados a irradiação foi estudada no Canadá, Estados Unidos e Reino Unido, assim como em vários outros países. Há mais de vinte anos a US Food and Drug Administration aprovou vários materiais para embalagem de alimentos. Recentemente, o Canadá aprovou outros materiais, incluindo uma folha de polietileno de várias camadas, como segurança para alimento a ser irradiado.Ensaios complexos foram realizados para avaliar o efeito da radiação no plástico e em outros tipos de materiais para embalagem. Os pesquisadores examinaram a estabilidade dos materiais submetidos à irradiação, suas resistências mecânicas, permeabilidade à água e a gases, assim como a facilidade de sua remoção e da remoção dos adesivos. |
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2 São usados materiais irradiados na embalagem de alimentos?
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2 Sim. As folhas de plástico laminado recobertas com alumínio são usualmente radioesterelizadas. Estas folhas são utilizadas para produtos hermeticamente vedados e embalados em condições assépticas, tais como a massa de tomate, os sucos de fruta e os vinhos. Outros materiais de embalagem asséptica, embalagens para produtos derivados do leite, embalagens para porção única (por exemplo, para o creme) e rolhas para garrafas de vinho também se radioesterelizam, antes das operações de enchimento e fechamento, para impedir a contaminação do produto.Outros tipos de materiais utilizados em embalagens de alimentos e outros produtos são irradiados, habitualmente, em vários países. O tratamento por irradiação é utilizado para degradar as cadeias de polímeros do material para se obter uma maior firmeza e resistência ao calor, e produzir plásticos com propriedades especiais (por exemplo, resistência ao encolhimento). |
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1 Ocorreram acidentes importantes em instalações de irradiação industriais?
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1 Nos últimos 25 anos aconteceram acidentes importantes em instalações industriais que causaram lesões ou morte de trabalhadores, em conseqüência da exposição acidental a doses letais de radiação. Todos aconteceram em decorrência da não observância deliberada dos sistemas de segurança e dos procedimentos adequados de controle. Nenhum destes acidentes colocou em perigo a saúde pública ou o meio ambiente.Na maioria dos casos, os acidentes notificados resultaram realmente de incidentes operacionais. Tais incidentes conduziram à parada do irradiador, mas não causaram danos a ninguém nem colocaram em perigo o meio ambiente. A distinção entre acidentes e incidentes é utilizada pelas autoridades responsáveis pela segurança em todas as industrias. O primeiro se aplica a muitas tecnologias de alimentos, como a fumigação e a indústria agroquímica, que são potencialmente perigosas para os trabalhadores. Como nas outras, são exigidas das instalações de irradiação, controles e protocolos formais para prevenir acidentes. Considera-se que a indústria de tratamento por irradiação tem um histórico muito bom de segurança. Hoje em dia se encontram em funcionamento, no mundo, cerca de 160 instalações de irradiação gama industriais, várias das quais processam alimentos, além de outros tipos de produtos. A maioria das instalações de irradiação são utilizadas para esterilização de produtos médicos e farmacêuticos descartáveis, assim como para o tratamento de outros produtos não-alimentícios. |
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2 Os operadores de instalções de irradiação estão sujeitos a perigos como conseqüência de uma exposição a longo do prazo ou acidental à radiação?
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2 Toda atividade industrial implica certos riscos para os seres humanos e o meio ambiente. Um dos riscos, nas instalações de irradiação, está relacionado com o perigo potencial de uma exposição acidental à radiação ionizante. Em condições normais de operação, o fato da fonte de radiação se encontrar blindada, impede qualquer exposição dos trabalhadores à radiação. Os irradiadores são projetados com vários graus de proteção redundantes, para detectar o funcionamento defeituoso do equipamento e proteger o pessoal da exposição acidental a radiação. As zonas potencialmente perigosas são monitoradas e um sistema interconectado de fechamento de portas impede o acesso não autorizado à câmara de irradiação, quando se está irradiando. A segurança dos trabalhadores também depende de procedimentos de operação rígidos e de uma qualificação adequada. Todas instalações de irradiação devem Ter uma licença de operação. Na maioria dos países a regulamentação exige a inspeção periódica das instalações, para verificar o cumprimento dos termos das licenças de exploração. No Reino Unido, o "Health and Safety Executive" informou a um comitê parlamentar que o pessoal que trabalha nas dez instalações de irradiação do país está exposto a perigo não habitual: "os riscos se mantêm sob controle eficaz mediante o emprego de sistemas avançados de segurança. As instalações estão construídas com fortes dispositivos de blindagem contra radiações, razão pela qual o processo não acarreta riscos para o público em geral. Esperamos que a legislação, em matéria de irradiação de alimentos, não coloque nenhuma questão nova de saúde e segurança, dentro de nossa esfera de interesse." |
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3 Se mais irradiadores forem construídos, mais materiais radioativos terão que ser transportados. Que medidas foram adotadas para minimizar o perigo de vazamentos radioativos, em conseqüência de acidentes de transporte?
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3 Os materiais radioativos, necessários para os irradiadores, são transportados em cofres de aço blindados com chumbo. Esses cofres são projetados em conformidade com as normas nacionais e internacionais elaboradas com base no "Regulamento para transporte seguro de materiais radioativos", da AIEA. Grandes quantidades de materiais radioativos são enviadas, de forma segura, a todo o mundo para abastecer cerca de 160 irradiadores, nos quais é tratada uma grane variedade de produtos médicos, tais como seringas, luvas, suturas e aventais de hospital. Entre 1955 e princípios de 1988, por exemplo, o Canadá enviou aproximadamente 190 milhões de Curies de Cobalto 60, em 1870 encomendas separadas, sem risco radiológico algum para o meio ambiente, nem liberação de materiais radioativos. Durante o mesmo período foram efetuados, na América do Norte, aproximadamente um milhão de remessas de radioisótopos para o uso na indústria, hospitais e pesquisas, sem que se produzissem acidentes radiológicos. Este excelente histórico de segurança excede em muito aos de outras indústrias, que efetuam transporte de materiais perigosos, como produtos químicos tóxicos, petróleo ou gasolina. Os mesmos procedimentos utilizados, com tanto êxito e de maneira tão segura, para transportar materiais radioativos para irradiadores existentes, serão empregados a qualquer outro construído para tratamento de alimentos. |
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4 Pode um acidente em uma instalação de irradiação gama conduzir à "fusão" do irradiador e à liberação de radioatividade, que contamine o meio ambiente e ponha em perigo a população das imediações?
5 Os irradiadores gama produzem rejeitos radioativos? |
4 Não. É impossível que se produza uma "fusão" em um irradiador gama, ou que a fonte de radiação produza explosão. A fonte de energia radioativa usada nos irradiadores não pode produzir nêutrons, partículas que podem fazer com que os materiais se tornam radioativos, e portanto não se pode produzir nenhuma "reação nuclear em cadeia" em um irradiador. As paredes da câmara de irradiação, pelas quais passam os alimentos, a maquinaria dentro da mesma e o produto que está sendo tratado não podem se tornar radioativos. Também não se libera radioatividade ao meio ambiente.
5 Não. Nestas instalações de irradiação não se acumulam rejeitos radioativos, dado que não se produz nenhuma radioatividade. A energia radioativa utilizada em alguns irradiadores, a saber, elétrons ou raios X, é produzida por equipamentos industriais denominados aceleradores. Nos irradiadores gama se utilizam como fontes de energia radionuclídeos, usualmente Cobalto 60 ou, mais raramente Césio 137. Estes elementos desintregam com o tempo transformando-se em Níquel e Bário, respecitivamente, ambos não radioativos. As fontes são retiradas quando a radioatividade diminui para um nível, geralmente entre 6 a 12% do nível inicial (o que leva 16 a 21 anos no caso do Cobalto 60). Os elementos são devolvidos em um container ao fornecedor, o qual tem a opção de reativá-los, num reator nuclear, ou armazená-los. |
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1 Existem medidas para controlar o processo de irradiaçào com o fim de assegurar o tratamento adequado dos alimentos?
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1 Sim. Nos últimos trinta anos foram promulgadas leis e regulamentos que regem as operações nos irradiadores utilizados para o tratamento de produtos não- alimentares, tais como artigos médicos. Cerca de 160 destes irradiadores se encontram em funcionamento no mundo. As instalações, que devem ser aprovadas pelas autoridades governamentais antes da sua construção, estão sujeitas a inspeções periódicas, auditorias e outros controles para garantir sua exploração segura e apropriada. Estes tipos de controles governamentais também seriam válidos para as instalações de irradiação de alimentos. Por exemplo, o princípio da confirmação da posição dos lotes é uma parte essencial dos controles do processo, independendo de ser o produto um item farmacêutico ou uma fruta.No plano internacional, o Grupo Consultivo Internacional sobre Irradiação de Alimentos (GCIIA ), que é um grupo misto, composto por representantes da organismos da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) preparou diretrizes profissionais relativas às boas práticas de fabricação (GMP) e as práticas corretas de tratamento por irradiação de vários alimentos. Estas diretrizes englobam todos os aspectos do tratamento, manipulação e distribuição, e proporcionam uma base adequada para preparar protocolos, necessários à aplicação da irradiação em escala comercial. As diretrizes exigem que, da mesma forma que em todas as indústrias alimentares, é necessário estabelecer sistemas de controle de qualidade eficazes que devem fiscalizar adequadamente, nos pontos críticos de controle, as instalações de irradiação. A manipulação, armazenamento e transporte dos alimentos devem ser realizados em conformidade com a GMP, antes, durante e depois da irradiação. Somente os alimentos que satisfaçam aos critérios microbiológicos e outras normas de qualidade devem ser aceitos para irradiação. A Comissão do Codex Alimentarius da FAO e da OMS publicou suas normas aplicáveis à irradiação de alimentos. Estas normas estipulam que os alimentos irradiados devem ser acompanhados de documentos de embarque, nos quais sejam identificados o irradiador, o lote, a dose e outros detalhes do tratamento. O CGIIA estabeleceu, além disso, um registro internacional de irradiadores que cumprem as normas para operações corretas. O grupo também organiza cursos de capacitação para operadores de irradiadores, diretores de instalações e supervisores, sobre o tratamento adequado, dando enfoque particular às GMP, dosimetria, manutenção de registros e a identificação dos lotes. Isso se estende aos oficiais responsáveis pelo controle dos alimentos; sobre os procedimentos de inspeção, necessários para o tratamento de alimentos por irradiação, e ao comércio de alimentos irradiados.
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2 Além desses controles regulamentares, são realizados testes para dectar se os alimentos foram irradiados?
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2 Sim, até um certo ponto. Atualmente se estuda a utilização de alguns testes científicos para determinar se os alimentos foram irradiados. Estes testes incluem medições por termoluminescência e espectroscopia por ressonância eletrônica de spin, para determinar a irradiação de carnes, aves e mariscos que contém espinhas ou conchas, assim como algumas provas químicas específicas.Entretanto, ainda não foi desenvolvido nenhum método exclusivo que permita detectar, de modo confiável, a irradiação de todos os tipos de alimentos ou dos níveis de dose de radiação utilizados. Isso se deve em parte ao fato de que o processo de irradiação não altera físicamente a aparência, forma nem temperatura dos produtos, e só produz mudanças químicas insignificantes nos alimentos. A falta de um teste específico para detectar se um produto foi tratado não é exclusividade do processo de irradiação. Os produtos de crescimentos orgânico não podem der detectados analiticamente, também não se pode detectar carne de animais sacrificados em conformidade com as leis judaicas ou islâmicas. Além disso, não se podem determinar, em alimentos refrigerados ou congelados, flutuações inaceitáveis de temperatura durante a distribuição, nem analisar os alimentos, termicamente esterilizados, depois de seu tratamento, para certificar a aplicação do regime tempo/temperatura correto. |
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1 A irradiação aumentará o custo dos alimentos?
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1 Supõe-se que todo tipo de tratamento de alimentos aumente a seu custo. Com efeito, na maioria dos casos, os preços não aumentarão, necessariamente só pelo fato de que produto tenha sido tratado. Existem muitas variáveis que afetam os custos dos alimentos, uma delas é o custo do método de tratamento. O enlatado, o congelamento, a pasteurização, a refrigeração, afumigação e a irradiação aumentarão o custo do produto. Estes tratamentos também trarão benefícios aos consumidores, do ponto de vista da disponibilidade e quantidade, o tempo de armazenamento, a conveniência e a melhoria da higiene no alimento.Os custos léquidos da irradiação oscilam entre 10 e 15 dólares americanos por tonelada, no caso da aplicação de uma dose baixa (por exemplo, para inibir germinações nas batatas e nas cebolas) e, entre 100 e 250 dólares por tonelada, no caso de aplicação de uma dose alta (por exemplo, para garantir a qualidade higiênica das especiarias). Estes custos são competitivos com os de outros tratamentos. Em alguns casos, a irradiação pode ser muito menos custosa. Estima-se que, para a desinfestação de frutas na Tailândia e nos Estados Unidos, por exemplo, o custo da irradiação só representaria de 10 a 20% do custo do tratamento por vapor/calor. |
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2 Quanto custa uma instalação de irradiação caracterísitica?
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2 O custo de construção de uma instalação de irradiação de alimentos oscila entre um milhão e três milhões de dólares americanos, dependendo de seu tamanho, capacidade de tratamento e outros fatores. Estas cifras se encontram dentro da escala de custos das instalações de tratamento de alimentos por outras tecnologias. Por exemplo, uma instalação de temperatura muito elevada, de tamanho moderado, para esterilizar leite, sucos de fruta e outros líquidos custa aproximadamente dois milhões de dólares. Uma instalação pequena de tratamento por vapor/calor para a desinfestação de frutas custa aproximadamente um milhão de dólares. |
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1 É verdade que os consumidores se negam a comprar alimentos irradiados?
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1 As pesquisas de opinião, realizadas em vários países ocidentais, tendem a indicar que a maioria dos consumidores não estaria disposta a comprara alimento irradiados. Entretanto, a maioria destas pesquisas foram realizadas por telefone, em entrevistas rápidas, sem qualquer esclarecimento que proporcionasse informações básicas suficientes, sobre a segurança, benefícios e as limitações da irradiação de alimentos. Os consumidores mal- informados, nunca distinguem a diferença entre alimentos irradiados ou contaminados por radionuclídeos.Com respeito a alimentos, os consumidores tendem a assumir uma atitude prudente quanto à aceitação de qualquer novidade, especialmente de qualquer nova tecnologia alimentícia. Esta atitude foi observada quando se introduziu, por exemplo, a pasteurização. Quando os consumidores têm oportunidade de expressar sua opinião, ou votar numa eleição, com conhecimento de causa, os resultados são diferentes, como demonstram pesquisas realizadas após se proporcionarem informações exatas e objetivas. Essas trazem resultados mais positivos. Em testes de mercado de alimentos irradiados, etiquetados e colocados à venda junto com alimentos não-irradiados, os consumidores compraram, com satisfação, os primeiros e, em numerosos casos, expressaram sua preferência pelos produtos irradiados. Nos últimos anos foram realizados testes de comercialização na Argentina, Bangladesh, Chile, China, Estados Unidos, Filipinas, França, Hungria, Indonésia, Israel, Polônia e Tailândia, todos com resultados favoráveis aos alimentos irradiados. |
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2 Que produtos irradiados foram comercializados a título de teste?
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2 Nos últimos dez anos foram realizados testes de comercialização em vários países, nos quais foram vendidos produtos alimentícios irradiados. Entre eles, figuram maçãs, batatas, cebolas, mangas, mamão, morangos, pescado seco e salsichas de porco fermentadas. As respostas dos consumidores aos produtos irradiados sempre foram positivas.Mangas. Em setembro de 1986, três toneladas foram irradiadas em Porto Rico, com uma dose máxima de 1kGy, para eliminar infestação por mosca da fruta para retardar sua deterioração. As mangas foram transportadas, por avião, para Miami, para comercialização. Foram etiquetadas como produto irradiado e vendidas, acompanhadas por um folheto explicativo, junto com mangas não-irradiadas no mercado de produtores ao norte de Miami. Os consumidores compraram as mangas irradiadas, que foram vendidas ao mesmo preço, ou a um pouco mais alto que as mangas não-irradiadas, mostrando assim, sua preferência pelos produtos irradiados. Mamão. Em março de 1987 foi transportado, por avião, um carregamento de mamão do Havaí para Los Angeles. Este foi irradiado com doses entre 0,41 e 0,51 kGy, em cumprimento às normas de quarentena. As frutas foram etiquetadas, como mandam as normas do USFDA, e colocadas à venda em dois supermercados de Anaheim e Irvine, na Califórnia, junto com outras que haviam sido submetidas a tratamento com água quante no Havaí. Mais de 200 consumidores responderam a questionários apresentados durante o período de venda dos lotes de frutas. Ao final do dia, no qual foi realizado o teste de mercado, forma vendidos 60 kg de mamão irradiado contra 5,1 kg da mesma fruta não- irradiada. Isso representa uma relação de mais de 11:1 a favor das frutas irradiadas. Dois entre três consumidores que participaram em Anaheim, e quatro entre cinco em Irvine, declararam que comprariam novamente mamão irradiado. Morangos. Em testes de comercialização realizados em 1987 e 1988 em Lion, na França, uma cadeia de supermercados colocou à venda 7 toneladas de morangos irradiados com 2 kGy. O produto foi etiquetado com o nome de "Radura", e com um certificado de "ionização’, foi colocado à venda a um preço ligeiramente mais elevado que os não-irradiados. Os consumidores declararam que haviam comprado os morangos irradiados, por serem de melhor qualidade. Salsichas de porco fermentadas. Em 1986 foi irradiada, na Tailândia, uma salsicha de porco fermentada de consumo popular (Nham), que foi posta à venda, junto com uma similar não-irradiada, em quatro supermercados de Bangkok. Esta salsicha, que geralmente se consome crua, é freqüentemente contaminada pela Salmonella e por ser um parasita da Trichinela Spiralis. Para combater estes organismos a salsicha foi irradiada com uma dose mínima de 2 kGy, e etiquetada em conformidade com os requisitos da Administração de Alimentos e Medicamentos da Tailândia. Uma pesquisa entre 138 consumidores, realizada em 1986, mostrou que 34,1% haviam comprado a modalidade irradiada por curiosidade e 64,9% por considerá-la isenta de micróbios. Nove em cada dez consumidores disseram que voltariam a comprar Nham irradiada. Em três meses de testes, no ano de 1986, vendeu-se mais de dez vezes a salsicha irradiada, em comparação com a não irradiada. Nestes e em outros testes, os fatores mais significativos em favor dos alimentos irradiados parece ser a qualidade superior e a segurança. Nada nestes testes, realizados em condições reais de mercado, indicou que os consumidores informados não aceitaram os produtos irradiados. |
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3 Os alimentos irradiados estão sendo vendidos em cráter regular?
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3 Sim. A maioria dos alimentos irradiados que são produzidos atualmente em 23 países, está destinada às indústria de processamento de alimentos e mercados institucionais, por exemplo, serviços de alimentação e restaurantes. Além disso, em como a França, os Países Baixos. África do Sul e Tailândia, são vendidas regularmente quantidades comerciais de alguns produtos alimentícios irradiados, entre eles, morangos, mangas, bananas, camarões, coxas de rã, especiarias e salsichas de porco fermentadas. Estes produtos, devidamente etiquetados para indicar o tratamento e sua finalidade, têm sido vendidos com êxito junto com seus similares não-irradiados. Os consumidores não têm mostrado reação negativa à sua compra. |